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18 de outubro de 2026

Ação ajuda refugiados a conseguir emprego em São Paulo

Geral Empregabilidade 18/10/2026 08:15 Elaine Patricia Cruz - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br São Paulo SP

Evento no centro de São Paulo oferece cursos, apoio e vagas de emprego para refugiados e migrantes de 23 nacionalidades. Casal venezuelano busca oportunidade para recomeçar a vida no Brasil.

O casal Victor Arce, de 65 anos, e Morelba Margarida Aquilar, de 64 anos, vive no Brasil há um ano com sua filha. Vindos da Venezuela, eles agora procuram uma forma de encontrar um emprego.

Na Venezuela, Victor era marceneiro profissional, mas teve que vir para o Brasil por causa de um problema de saúde de sua esposa. Enquanto a oportunidade de trabalho não aparece, eles vendem artesanato.

  • Evento ofereceu workshops de empregabilidade e empreendedorismo para refugiados
  • 136 migrantes de 23 países participaram da ação em São Paulo
  • 70% dos participantes estavam desempregados
  • Mais da metade dos refugiados querem empreender no Brasil
  • Casal venezuelano conseguiu atendimento médico rápido no SUS

"Esse país é muito bom e encantador, tanto pelas pessoas quanto pelo material científico e educativo. Minha esposa tem um problema de saúde e o tratamento na Venezuela era muito caro. Aqui, em dois meses, ela conseguiu atendimento e resolveram o problema", disse Victor.

Para buscar uma vida melhor no Brasil, na manhã deste sábado (17) eles participaram de uma ação que oferece cursos, apoio e vagas de emprego para refugiados e migrantes. O evento, chamado Conexões que Transformam, foi promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation, e aconteceu durante todo o dia na Aliança Brasil Cidadã, no centro da capital paulista.

Assim como Victor e Morelba, outros 136 migrantes e refugiados, de 23 países, se inscreveram para participar da atividade, que incluiu workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisão de currículos com tradução para o português, apoio para documentação e vagas de emprego.

"Estou buscando maneiras de empreender, de abrir uma microempresa", disse Victor, que procurou o local para obter ideias e dicas sobre como montar um negócio no Brasil. "Aqui se encontra muito apoio ao imigrante, a imigrantes de todos os países do mundo. Essa é uma ideia muito boa e que poucos países têm", acrescentou.

Desemprego e desejo de empreender

Em entrevista à Agência Brasil, a líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, Maria Helena Santuche, informou que 70% dos refugiados e migrantes que participaram da ação estavam desempregados. Mais da metade deles tem o desejo de empreender no Brasil.

"A maior parte dessas pessoas quer empreender, mas elas não têm muita ideia ainda de como fazer isso, porque justamente é um empreendedorismo por necessidade, não por oportunidade", explicou.

"Um dos objetivos principais é possibilitar que esses refugiados trabalhem ou façam as adequações necessárias da documentação e deixem seus currículos preparados e atualizados", ressaltou Flavio Simonato, diretor de Pessoas da Konecta Brasil. "Estamos realizando palestras sobre mercado de trabalho para orientar essas pessoas sobre como nosso mercado funciona e como elas podem ter sucesso na busca de emprego. Também trouxemos oportunidades de emprego e conseguimos doações de cestas básicas e brinquedos para as crianças", disse.

Perfil dos participantes

Segundo Eliane Franco Figueiredo, co-fundadora do Grupo Mulheres do Brasil e líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes, os refugiados e migrantes inscritos são principalmente da Venezuela, Congo e Haiti. "Temos médicos que não podem exercer sua profissão aqui porque a validação do diploma demora muito. Então, estamos realizando ações para empregabilidade e capacitação para o trabalho", afirmou.

Mais de 1 milhão de refugiados no Brasil

Vivian Holzhacker, associada de Soluções Duradouras do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), destaca que mais de um milhão de pessoas refugiadas ou em situação de necessidade de proteção internacional vivem atualmente no Brasil. "Elas vêm de mais de 160 nacionalidades, mas as principais são Venezuela, Cuba e Haiti. Há um número relevante, principalmente em São Paulo, de pessoas que vêm do Afeganistão, Irã, Síria e Palestina, devido aos conflitos dos últimos anos", afirmou.

"Essas pessoas muitas vezes trazem muitas experiências. Muitos têm formação e experiência em seu país de origem, mas chegam aqui e precisam se reinventar", disse à Agência Brasil.

Quando chegam ao Brasil, essas pessoas têm acesso garantido a políticas públicas como educação e saúde. Mas, segundo Vivian, ainda existem muitos desafios. "O idioma é a primeira barreira, porque pouquíssimos países falam português. Depois, existe uma urgência para trabalhar. Eles não têm rede de apoio, não têm moradia, então existem vários desafios. Muitas vezes, as pessoas têm diploma de nível superior, mas acabam trabalhando no emprego que aparece", explicou.

Outra dificuldade é com a documentação. "A pessoa que sai do país com urgência, fugindo de perseguição ou guerra, nem sempre tem tempo de organizar todos os documentos ou traduzi-los. Esse também é um grande desafio", destacou.

Por isso, ações como essa são importantes para ajudar na empregabilidade. "Aqui elas podem melhorar o currículo, adequá-lo ao formato exigido no Brasil, fazer entrevistas, ter acesso a empregos, fazer capacitações e aprender ferramentas para acessar o mercado de trabalho ou empreender", completou Vivian.

Outras formas de ajuda

Os migrantes ou refugiados que não participaram da ação podem buscar outras formas de se colocar no mercado de trabalho. A Acnur disponibiliza a plataforma Help (help.unhcr.org/brazil) para ajudar na atualização de documentação e informações sobre trabalho e renda. "Nessa plataforma, elas podem selecionar estado e município e ver quais organizações podem atendê-las", explicou Vivian.

Outra possibilidade é procurar a Aliança Brasil Cidadã, onde são oferecidos cursos de capacitação. "Temos um Instagram bem robusto e os próprios migrantes trocam informações por lá", sugeriu Sidnea Evangelista, vice-presidente da entidade. "Aqui temos cursos abertos o ano todo, como informática, inteligência artificial e manicure. Eles podem se inscrever gratuitamente".

Também é possível buscar informações pelas redes sociais do Grupo Mulheres do Brasil, pelo e-mail [email protected] ou pelas redes sociais da Konecta Brasil.


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